De pequena, queria mesmo, mesmo, era ter uma lousa de brinquedo. A lousa verde (Quadro negro, esse nome daltônico) e o giz colorido. Tive uma pequena, que dava pra levar na mão. Nada compatível com os sonhos de criança, filha de professores, que aprendeu desde muito e sempre, a admirar esses sujeitos que se desdobram a frente de uma sala de aula.
Sonhei também com a lousa branca, que vez ou outra aparecia em programas de tv. Como deveria ser divertido brincar, opa, trabalhar, opa, viver daquilo!
O tempo passou. Nem tanto. Aos 17 anos recebi um convite inusitado: a professora de inglês que veio dizer, precisava de uma nova professora e, dizia ela, era eu "cut out for that". (sou péssima em receber elogios, mas digo, tai um que nunca me esqueci).
E começou entao essa paixão. Nao, mentira, a paixão já havia, na menina que brincava de lousa e giz na casa da coleguinha (essa sim, tinha uma lousa grande em casa). Começou o namoro. É desaparecimento relação que vivo, todos os dias, nas salas de aula, com meus alunos, com minha vocação. Nao vou dizer nada sobre a desvalorização, o descaso, o papel secundário que o magistério tem na lógica louca e doente das atuais relações sociais.
Tenho convicção na atuação do professor como formador de opinião (por mais que nao goste dessa expressao) e das relações e debates em sala de aula como forma de transformação social. Carrego comigo a mesma visão utópica dos primeiros dias da faculdade de direito, a crença no direito como instrumento de transformação social. Rejeito a sala de aula hermética, positivista, reprodutora do status quo. Confio no professor pesquisador, dedicado ao ofício, liberto dos formalismos e maneirismos da prática forense. Creio no professor acadêmico, menos no professor operador. Creio no professor em contato com a realidade social, menos no professor em contato com a realidade de toga e terno.
Tudo isso só para dizer: parabéns a mim e a todos os professores.
1 comentários:
Lindo post, me fez um bem danado. Eu nunca quis isso de ser professora. O que não faz com que eu ame menos, apenas me aponta uma responsabilidade: pra mim não foi vocação, foi uma escolha. Eu também acredito num professor que inspira, pesquisa, vinculado ao cotidiano. Mas acho que deve ter um a mais que ainda estou procurando.
Postar um comentário