Digo qualquer coisa, só por dizer. Ou saio de fininho, melhor evitar. O sorriso de paisagem anda colado na cara. Essa tal civilidade parece mais um fardo do que qualquer outra coisa.
E mesmo com esse arsenal de armas para a manutenção da paz (ressalvada a ironia da expressao), ainda me dizem: voce é muito radical. Impaciente. Nervosinha.
É, talvez. Ou talvez eu nao consiga mais ser essa massa amorfa que tantos se acostumaram a preencher. Nao nao, eu nunca fui. Só tinha a voz mais tímida, mais abafada. Filha de pai repressor, demorei a aprender que voz é meio, é instrumento, é direito.
Mas há de se ter calma. Falar alto demais tira de qualquer um a razão. Nao vejo na civilidade falsidade. Apenas parcimônia e um pouco de equilíbrio.
Equilíbrio, tenho desejado a muitos (ou a todos) equilíbrio. É, do alto desse suposto radicalismo, te desejo equilibrio. E ironia. Ou ao menos um pouco de sapiência para captar e apreciar a ironia.
Sei lá se digo qualquer coisa que faca sentido, na verdade, se voce busca sentido, nao passe por aqui. Nao faco esforço algum aqui para encontrar esse tal de sentido. O sentido está em ser (e que bela ironia verbal) e isso, ora, faz todo sentido, sem sequer precisar!
Equilíbrio, radicalismo no equilíbrio. Ou qualquer coisa que nos faça nem menos nem mais. Porque talvez para alcançar o equilíbrio seja preciso um pouco mais de radicalismo, e menos de sentido.
E quanta ironia!
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